CifrAdventista.com

Testemunho: por que criei o site CifrAdventista


alessandro-andrade-cifradventistaPassei muito tempo relutando, dando esse testemunho apenas para pessoas mais próximas, mas creio que seja importante divulgar aos amigos que usam o site um pouco da minha história de vida e os motivos que me levaram a criar o site CifrAdventista.com.


Abaixo segue um texto que publiquei anteriormente no site A Vida É [infelizmente descontinuado], onde também faço fiz parte da equipe juntamente com meu grande amigo Willian Ricardo, criador desse blog (apesar de morar longe e nos conhecermos apenas pela internet).

Espero que esse testemunho possa ajudá-lo a tomar a decisão de usar seu talento sempre em honra e louvor a Deus.


Quando eu era adolescente, fiz meu segundo grau (ensino médio na minha época) numa escola católica. Na verdade, isso não fazia nenhuma diferença, porque na prática o colégio não tinha nenhum princípio religioso que fosse sujeitado aos alunos.


O ano era 1995 e essa foi a primeira vez em que estudei numa escola que não era da minha igreja, após 8 anos numa escola adventista. Pensei que isso não influeciaria minha vida espiritual, mas não foi bem isso que aconteceu.


Dois anos depois, eu já estava fazendo coisas que nunca pensei que faria. Para resumir a situação, naquele momento eu me considerava um roqueiro de carteirinha. Nesse meio tempo, aprendi a tocar violão e devido a uma influência de um amigo da minha sala, estava decidido de uma coisa: queria tocar numa banda de rock.


A idéia veio desse amigo de escola, que não sabia tocar nada mas que me fez uma proposta bastante interessante: “Meu pai vai me comprar uma guitarra. Como eu não sei tocar, quero que você me ensine. Aí você pode ficar com a guitarra de vez em quando. E aí com o tempo, a gente pode montar nossa banda”. Pra mim estava ótimo. Nunca tinha tocado uma guitarra ainda e a idéia de tocar numa banda parecia muito boa.


Nessa época, por incrível que pareça, eu ainda frequentava a igreja normalmente. Na verdade eu nunca considero que saí totalmente da igreja, nem mesmo nessa época em que eu estava pensando em ser rockeiro. É difícil de entender e de explicar, mas sempre me vinha na cabeça a possibilidade de que quando eu realmente fizesse parte da banda, que pudéssemos fazer algum show na sexta-feira a noite (início das horas sabáticas) e isso me incomodava. Parece que lá dentro de mim algo ainda dizia que isso seria errado.


Enquanto fazíamos nosso planos, conheci uma menina que fazia parte do clube de Desbravadores junto com meus irmãos. Conversei um pouco com ela e, não sei porque, acabei soltando que eu estava com idéias de fazer uma banda de rock. Ela disse: “Legal! Meu tio também já fez parte de uma banda de rock.” Estranhei um pouco a reação dela, mas perguntei o nome da banda em que o tio dela já tinha tocado. “Legião Urbana“, disse ela.


leg-urbanaNesse momento eu quase caí pra trás! Arregalei os olhos e perguntei pra ela: “QUEM É O SEU TIO???”. Aí ela disse: “Renato Rocha“. Quando ela disse isso, eu prestei um pouco mais de atenção na fisionomia dela e percebi que ela realmente tinha os mesmos traços que o ex-baixista da Legião Urbana, Renato Rocha. Quase pirei. Comecei a tagarelar, dizendo que era super fã da Legião Urbana (e realmente era), que queria conhecer o tio dela, pedi que ela me trouxesse um autógrafo dele e etc. A menina só sorria e dizia que tudo bem, que iria ver se conseguia.


Logo que tive oportunidade, fui contar pra meu amigo do colégio que tinha conhecido a sobrinha de um ex-integrante da Legião Urbana. Ele teve quase a mesma reação que eu e ficou louco pra querer conhecer o cara. Passei vários dias falando sobre esse assunto.


Tempos depois, a tal menina disse que o tio dela estava em Brasília, mas que ficaria pouco tempo. Perguntou pra mim se eu queria conhecê-lo. Eu disse “Claro!”. Ela disse que eu poderia passar em sua casa a tarde.


Falei pro meu amigo que poderíamos conhecer o cara e então ele chamou mais dois amigos que nos pegaram de carro para ir pra casa da menina. Nos atrapalhamos um pouco para achar o prédio, mas quando achamos e confirmamos o apartamento certo pelo interfone da moça, meus colegas começaram a pular de alegria embaixo do prédio igual crianças. Subimos no apartamento, onde fomos recebidos pela menina e seus avós, que nos trataram super bem. Ela disse que o tio dela estava no quarto, fazendo umas massagens pra dor, porque tinha acabado de dar umas voltas de bicicleta, mas que já já nos receberia. Estávamos nos sentindo como se fôssemos jornalistas de algum programa de música. Todos estavam super ansiosos.


Uns 15 minutos depois, ele apareceu no corredor, sorrindo e fazendo um “V” de vitória para nós. Nos levantamos e fomos cumprimentá-lo, meus amigos começaram a mostrar CDs pra ele autografar. Pedi que ele autografasse minha camisa.


Nos sentamos e começamos a perguntar como era a vida enquanto ele tocava na Legião Urbana. Ele disse que viajava muito e ganhava muito dinheiro. Disse que gastava tudo com besteiras, até comprando inúmeras revistas em quadrinhos. Disse que gostava de aproveitar bem os hotéis onde ficavam, ficando horas na piscina. Disse que na maioria das vezes, Renato Russo ficava sozinho no quarto. Disse que ele sempre foi muito depressivo.


Em vários momentos da conversa, ele se emocionou, pois fazia pouco tempo que Renato Russo tinha falecido. Quando ficava muito emocionado, ele pedia pra mãe uma xícara de café. Num desses momentos, não sei porque motivo, perguntei a eles se eles conheciam cevada. Eles disseram que não. Eu disse que era parecido com café, mas que não fazia mal. Os pais dele disseram “é, realmente… café faz mal para os ossos”.


Depois de cerca de meia hora de conversa, ele ficou novamente um pouco emocionado e disse que precisava sair, para ver velhos amigos. Ele se levantou e fez questão de abraçar cada um de nós. O que mais me impressionou nesse momento foi o que ele fez questão de dizer e repetir enquanto abraçava cada um de nós:



– Não seja roqueiro, cara. Não vale a pena.

Aquilo soou pra mim como um tapa na cara. Fiquei embasbacado com o que ele disse. Como assim “não seja roqueiro”? Ele era um dos responsáveis por me fazer querer ser um!


Voltei pra casa com a cabeça cheia de dúvidas. Não fazia sentido ele ter dito aquilo. Quando cheguei em casa, minha mãe veio brigar comigo pois descobriu aonde eu tinha ido. Ela aos poucos foi diminuindo o tom de voz, talvez por perceber que eu não parecia bem. Fui para o meu quarto e fiquei um tempo sozinho.


Enquanto estava no quarto tentando entender o que aconteceu naquele dia, algo dentro de mim me fez querer ler a Bíblia. Levantei, peguei minha bíblia no móvel no meu quarto, mas não sabia o que ler. Resolvi abrir numa página qualquer. Meus olhos correram pelos versos mas parou no verso 5 do Salmo 27, que pela primeira vez na minha vida, fez eu sentir como se Deus estivesse falando diretamente comigo:



“Pois, no dia da adversidade, ele me ocultará no seu pavilhão; no recôndito do seu tabernáculo, me acolherá; elevar-me-á sobre uma rocha.”

Naquele dia, tive a certeza de que Deus queria muito que eu sempre continuasse do seu lado. Compreendi que realmente foi Ele que fez aquele homem dizer pra mim exatamente o oposto do que eu achava que ouviria naquele dia. Tempos depois, vi uma notícia no jornal dizendo que Renato Rocha queria criar uma nova Legião Urbana. Ou seja, não faria sentido o que ele disse pra mim, de que não valia a pena, se ele mesmo estava novamente tentando alcançar a fama. Isso foi apenas mais uma prova de que Deus falou comigo naquele dia, por meio dele.


Desse dia pra cá, tenho me esforçado em me manter nos caminhos de Deus e usar meu talento musical em honra e louvor a Ele. E além disso, venho tentado mostrar também a outros jovens que realmente não vale a pena tocar músicas vãs. Esse é o motivo principal que me motivou a criar o site CifrAdventista.com. Na minha época, era muito difícil encontrar cifras de músicas cristãs. Então resolvi pegar as poucas cifras que eu tinha e publicar em um site pessoal que eu tinha. Isso foi a semente para o que veio a se tornar o CifrAdventista.com, que hoje tem mais de 15.000 visitantes por mês, e é acessado em várias partes do Brasil e do mundo.


Peço a você que leu esse testemunho que ore por mim. A cada dia sou tentado em vários aspectos, assim como muitos jovens que atuam no ministério da música também são. Peço que você ore por todas as pessoas que de alguma forma louvam a Deus pela música, para que essas pessoas continuem firmes e não sejam iludidas pelo brilho desse mundo.


Que Deus possa nos abençoar. Que possamos sempre louvar a Deus. Isso sim, vale a pena.


ATUALIZAÇÃO (29/03/2012): Veja em que situação Renato Rocha foi encontrado e o que podemos fazer por ele.


por Alessandro Andrade

%d blogueiros gostam disto: