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Filosofia Adventista do Sétimo Dia com Relação à Música


O documento a seguir transcrito foi publicado pela Igreja Adventista do Sétimo Dia por meio de seu site oficial para a Divisão Sul-Americana e descreve a visão da referida igreja quanto à música.


O artigo completo também pode ser baixado neste link.







 

Deus  compôs  a  música  exatamente  na  estrutura  de  Sua  criação.  Lemos  que, quando Ele criou todas as coisas, “as estrelas da alva, juntas, alegremente cantavam, e rejubilavam  todos  os  filhos  de  Deus”  (Jó  38:7).  O  Livro  do  Apocalipse  retrata  o  Céu como  um  lugar  de  louvor  incessante,  com  hinos  de  adoração  a  Deus  e  ao  Cordeiro ressoando de todas as partes (Apoc. 4:9-11; 5:9-13; 7:10-12; 12:10-12; 14:1-3; 15:2-4; 19:1-8).



Visto  que  Deus  criou  os  seres  humanos  à  Sua  imagem,  partilhamos  do  amor  e apreciação pela música com todos os Seus seres criados. Na verdade, a música pode nos atingir  e  tocar  com  um  poder  que  vai  além  das  palavras  ou  qualquer  outro  tipo  de comunicação. Na sua forma mais pura e refinada, a música eleva nosso ser à presença de Deus, onde anjos e seres não caídos O adoram com cânticos.



O  pecado,  porém,  lançou  sua  praga  sobre  a  Criação.  A  imagem  divina  foi desfigurada  e  quase  apagada.  Em  todos  os  aspectos,  este  mundo  e  as  dádivas  de  Deus vêm a nós com uma mistura de bem e mal. A música não é moral nem espiritualmente neutra.  Pode  nos  levar  a  alcançar  a  mais  exaltada  experiência  humana,  pode  ser  usada pelo  príncipe  do  mal  para  degenerar  e  degradar,  para  suscitar  a  luxúria,  paixão, desesperança, ira e ódio.



A mensageira do Senhor, Ellen G. White, nos aconselha continuamente a elevar nosso conceito a respeito da música. Ela nos diz: “A música, quando não abusiva, é uma grande  bênção;  mas  quando  usada  erroneamente,  é  uma  terrível  maldição.”  –  O  Lar Adventista,  pág.  408.    “Corretamente  empregada,  porém,  é  um  dom  precioso  de  Deus, destinado a erguer os pensamentos a coisas altas e nobres, a inspirar e elevar a alma.” – Educação, pág. 167.



Quanto  ao  poder  da  música,  ela  escreve:  “É  um  dos  meios  mais  eficazes  para impressionar  o  coração  com  as  verdades  espirituais.  Quantas  vezes,  ao  coração oprimido  duramente  e  pronto  a  desesperar,  vêm  à  memória  algumas  das  palavras  de Deus – as de um estribilho, há muito esquecido, de um hino da infância – e as tentações perdem  o  seu  poder,  a  vida  assume  nova  significação  e  novo  propósito,  e  o  ânimo  e  a alegria  se  comunicam  a  outras  pessoas!  …  Como  parte  do  culto,  o  canto  é  um  ato  de adoração tanto como a oração. Efetivamente, muitos hinos são orações. … Ao guiar-nos nosso  Redentor  ao  limiar  do  Infinito,  resplandecente  com  a  glória  de  Deus,  podemos aprender o assunto dos louvores e ações de graças do coro celestial em redor do trono; e despertando-se o eco do cântico dos anjos em nossos lares terrestres, os corações serão levados para mais perto dos cantores celestiais. A comunhão do Céu começa na Terra. Aqui aprendemos a nota tônica de seu louvor.” – Educação, pág. 168.



Como adventistas do sétimo dia, cremos e pregamos que Jesus virá novamente, em  breve.  Em  nossa  proclamação  mundial  da  tríplice  mensagem  angélica,  de Apocalipse  14:6-12,  conclamamos  a  todas  as  pessoas  a  aceitarem  o  evangelho  eterno para louvar a Deus o Criador, e a se prepararem para encontrar o Senhor. Desafiamos a todos que escolhem o bem e não o mal a renunciar “à impiedade e às paixões mundanas, [vivermos] no presente mundo sóbria, e justa, e piamente, aguardando a bem-aventurada esperança  e  o  aparecimento  da  glória  do  nosso  grande  Deus  e  Salvador  Cristo  Jesus”. (Tito 2:12, 13.)



Cremos  que  o  evangelho  exerce  impacto  em  todas  as  áreas  da  vida.  Por conseguinte,  sustentamos  que,  por  causa  do  vasto  potencial  da  música  para  o  bem  ou para o mal, não podemos ser indiferentes a ela. Embora reconhecendo que o gosto, na questão da música, varia grandemente de indivíduo para indivíduo, cremos que a Bíblia e os escritos de Ellen G. White sugerem princípios que podem formar nossas escolhas.



A expressão  “música  sacra”  é  usada  neste  documento  para  se  referir, normalmente,  à  música  religiosa.  Designa  a  música  que  se  centraliza  em  Deus,  em temas bíblicos e cristãos.



Na  maioria  dos  casos,  é  música  composta  para  ser  utilizada  nos  cultos,  nas reuniões de evangelismo ou na devoção pessoal, e pode ser música vocal e instrumental. No entanto, nem toda música considerada sacra ou religiosa, pode ser aceitável para um adventista  do  sétimo  dia.  A  música  sacra  não  deve  evocar  associações  seculares  ou sugerir a conformação com normas de pensamento ou comportamento da sociedade em geral.



“Música secular” é uma música composta para ambientes alheios ao serviço de culto ou de devoção pessoal e apela aos assuntos comuns da vida e das emoções básicas do ser humano. Tem sua origem no homem e é uma reação do espírito humano para a vida, para o amor e para o mundo em que Deus nos colocou. Pode elevar ou degradar moralmente  o  ser  humano.  Embora  não  esteja  destinada  a  louvar  a  Deus,  pode  ter  um lugar  autêntico  na  vida  do  cristão.  Em  sua  escolha  devem  ser  seguidos  os  princípios apresentados neste documento.



Princípios que Orientam o Cristão



A música  com  a  qual  o  cristão  se  deleita  deve  ser  regida  pelos  seguintes princípios:


1. Toda  música  que  se  ouve,  toca  ou  compõe,  quer  seja  sacra  ou  secular, deve  glorificar  a Deus.  “Portanto,  quer  comais  quer  bebais,  ou  façais  qualquer  outra coisa,  fazei  tudo  para  a  glória  de  Deus.”  (I  Cor.  10:31.)  Este  é  o  princípio  bíblico fundamental.  Tudo  o  que  não  atende  a  esse  elevado  padrão,  enfraquecerá  nossa experiência com Ele.


2.  Toda  música  que  o  cristão  ouve,  toca  ou  compõe,  quer  seja  sacra  ou secular,  deve  ser  a  mais  nobre  e  melhor.  “Quanto  ao  mais,  irmãos,  tudo  o  que  é verdadeiro,  tudo  o  que  é  honesto,  tudo  o  que  é  justo,  tudo  o  que  é  puro,  tudo  o  que  é amável,  tudo  o  que  é  de  boa  fama,  se  há  alguma  virtude,  e  se  há  algum  louvor,  nisso pensai.” (Filip. 4:8.) Como seguidores de Jesus Cristo, que aguardam e esperam unir-se ao  coro  celestial,  vemos  a  vida  na  Terra  como  um  preparo  para  a  vida  no  Céu  e  uma antecipação dela.


Desses  dois  fundamentos  –  glorificar  a  Deus  em  todas  as  coisas  e  escolher  o mais  nobre  e  o  melhor  –  dependem  os  demais  princípios  relacionados  abaixo,  para  a escolha musical.


3.  A  música  se  caracteriza  pela  qualidade,  equilíbrio,  adequação  e autenticidade.  A  música  favorece  nossa  sensibilidade  espiritual,  psicológica  e  social, como também nosso crescimento intelectual.


4.  A música apela tanto ao intelecto como às emoções, afetando o corpo de forma positiva.


5.  A  música  revela  criatividade  e  obtém  melodia  de  qualidade.  Se harmonizada, deve ser usada de uma forma interessante e artística, com um ritmo que a complemente.


6.  A  música  vocal  emprega  versos  que  estimulam  positivamente  a capacidade  intelectual  como  também  nossas  emoções  e  nosso  poder  da  vontade.  Os bons versos são criativos, ricos no conteúdo e bem compostos. Focalizam no positivo e refletem  os  valores  morais;  instruem  e  enaltecem;  e  estão  em  harmonia  com  a  sólida teologia bíblica.


7.  Os  elementos  musicais  e  literários  operam  juntos  e  em  harmonia  para influenciar o pensamento e o comportamento em concordância com os valores bíblicos.


8.  A  música  mantém  judicioso  equilíbrio  dos  elementos  espiritual, intelectual  e emocional.


9.  Devemos  reconhecer  e  aceitar  a  contribuição  de  culturas  diferentes  na adoração  a  Deus.    As  formas  e  instrumentos  musicais  variam  grandemente  na  família mundial  adventista  do  sétimo  dia,  e  a  música  proveniente  de  uma  cultura  pode  soar  e parecer estranha a outra cultura.


Fazer música adventista do sétimo dia requer a escolha do melhor. Nessa tarefa, acima de tudo, nos aproximamos de nosso Criador e Senhor e O glorificamos. Cumpre-nos  aceitar  o  desafio  de  ter  uma  visão  musical  diferenciada  e  viável,  como  parte  de nossa  mensagem  profética,  dando  assim  uma  contribuição  musical  adventista importante e mostrando ao mundo um povo que aguarda a breve volta de Cristo.



ORIENTAÇÕES COM RELAÇÃO À MÚSICA PARA A IGREJA ADVENTISTA DO SÉTIMO DIA NA AMÉRICA DO SUL



A  Igreja  Adventista  do  Sétimo  Dia  surgiu  em  cumprimento  à  profecia.  Foi escolhida como um instrumento divino para proclamar, a todo o mundo, as boas novas de  salvação,  pela  fé  no  sacrifício  de  Cristo,  e  em  obediência  aos  Seus  mandamentos, com o objetivo de preparar um povo para o retorno de Jesus.


A  vida  daqueles  que  aceitam  essa  responsabilidade  deve  ser  tão  consagrada como sua própria mensagem. Esse princípio se aplica, de maneira especial, àqueles que, através da música, têm a missão de conduzir a igreja de Deus na adoração, no louvor e na  evangelização,  uma  vez  que  “a  música  só  é  aceitável  a  Deus  quando  o  coração  é consagrado  e  enternecido  e  santificado”.  –  Ellen  White,  Carta  198  –  1895.  É  preciso primeiro  receber  para  depois  oferecer.  É  preciso  ter  um  compromisso  pessoal  com  a mensagem, para depois poder transmiti-la. É preciso ter um encontro pessoal com Deus, para então, reconhecer Sua santidade, desenvolvendo assim uma adequada sensibilidade musical.



Diante  dessa  realidade,  aqueles  que  produzem,  selecionam  ou  executam  a música  usada  na  igreja,  necessitam  de  muita  comunhão,  sabedoria,  orientação  e  apoio. Precisam  ter  a  visão  da  grandeza  do  ministério  que  tem  em  suas  mãos,  bem  como  o máximo cuidado ao fazerem suas escolhas. “Não é suficiente conhecer os rudimentos do canto;  porém,  aliado  ao  conhecimento,  deve  haver  tal  ligação  com  o  Céu  que  os  anjos possam cantar através de nós.” – Ellen White, Manuscrito de maio de 1874.



A  música  é  um  dos  maiores  dons  dados  por  Deus  e,  por  isso  mesmo,  ela  se constitui em um elemento indispensável no processo de crescimento cristão. “A música é  um  dos  grandes  dons  que  Deus  concedeu  ao  homem,  e  um  dos  elementos  mais importantes num programa espiritual. É uma avenida de comunicação com Deus, e é um dos  meios  mais  eficazes  para  impressionar  o  coração  com  as  verdades  espirituais.” Educação, pág. 167.



Ela  exerce  influência  sobre  assuntos  de  consequências  eternas.  Pode  elevar  ou degradar, e ser empregada tanto para o bem como para o mal. “Tem poder para subjugar naturezas  rudes  e  incultas,  poder  para  suscitar  pensamentos  e  despertar  simpatia;  para promover  a  harmonia  de  ação  e  banir  a  tristeza  e  os  maus  pressentimentos,  os  quais destroem o ânimo e debilitam o esforço”.  Ibidem.



A  música  é  um  dos  elementos  mais  importantes  em  cada  atividade  da  igreja,  e por isso deve ser utilizada sempre de maneira edificante. “O canto é um dos meios mais eficazes  para  gravar  a  verdade  espiritual  no  coração.  Muitas  vezes  se  têm  descerrado pelas palavras do canto sagrado, as fontes do arrependimento e da fé.” – Evangelismo, pág. 500.



Buscando  o  crescimento  da  área  de  música,  de  cada  músico  envolvido  e da igreja  como  um  todo,  é  que  são  apresentadas  as  orientações  a  seguir.  Desta  maneira, tem-se  um  complemento  aos  princípios  apresentados  pela  Associação  Geral,  e  devem direcionar  a  música  dentro  da  Igreja  Adventista  na  América  do  Sul.  Sua  aceitação  vai proporcionar  sábias  escolhas,  o  cumprimento  da  missão  e  a  conquista  de  melhores resultados.



Tendo  em  vista  identificar  corretamente  o  papel  da  música  e  dos  músicos adventistas,  toda  a  atividade  musical  da  igreja  deverá  ser  chamada  de  Ministério  da Música.  Assim,  os  músicos  adventistas  passarão  a  ter  uma  visão  clara  de  seu  papel como ministros, e a igreja, uma visão distinta da música, seu objetivo e sua mensagem, como um ministério.



I.  O Músico


1.  Deve  cultivar  uma  vida  devocional  à  altura  de  um  cristão autêntico, baseada na prática regular da oração e da leitura da Bíblia.


2.  Precisa,  por  meio  de  sua  música,  expressar  seu  encontro  pessoal com Cristo.


3.  Trata  a  música,  em  consequência,  como  uma  oração  ou  um sermão, preparando-se espiritualmente para cada apresentação. (Ver Evangelismo, pág. 508.)


4.  Deve  representar  corretamente,  em  sua  vida,  os  princípios  da igreja e refletir a mensagem das músicas que apresenta, edita ou compõe.


5.  Deve  estar  em  harmonia  com  as  normas  da  igreja,  vivendo  os princípios de mordomia cristã e sendo membro ativo de uma igreja local.


6.  Precisa  aplicar  a  arte,  em  todas  as  suas  atividades,  como  um ministério. Não destaca sua imagem pessoal, mas sim a mensagem a ser transmitida.


7.  Cuida  de  sua  aparência  pessoal,  para  que  reflita  o  padrão  de modéstia e decência apresentado pela Bíblia.


8.  Canta  com  entoação  clara,  pronúncia  correta  e  perfeita enunciação. (Ver Obreiros Evangélicos, pág. 357.)


9.  Evita  tudo  o  que  possa  tirar  a  atenção  da  mensagem  da  música, como  gesticulação  excessiva  e  extravagante  e  orgulho  na  apresentação.  (Ver Evangelismo, pág. 501.)


10.  Evita,  em  suas  apresentações,  a  amplificação  exagerada,  tanto vocal como instrumental.


11. Evita o uso  de  tonalidades  estridentes,  distorções  vocais  ou instrumentais, bem como o estilo dos cantores populares.



12.  Respeita  o  ambiente  da  igreja  e  as  horas  do  sábado  ao  vender seus materiais.


13.  Deve  receber  orientação  e  apoio  espiritual  da  liderança  do Ministério da Música, líderes da igreja e do pastor local.



II.  A Música


1.  Glorifica  a  Deus  e  ajuda  os  ouvintes  a  adorá-Lo  de  maneira aceitável.


2.  Deve  ser  compatível  com  a  mensagem,  mantendo  o  equilíbrio entre ritmo, melodia e harmonia (I Crô. 25:1, 6 e 7).


3.  Deve harmonizar letra e melodia, sem combinar o sagrado com o profano.


4.  Não  segue  tendências  que  abram  a  mente  para  pensamentos impuros, que levem a comportamentos pecaminosos ou que destruam a apreciação pelo que  é  santo  e  puro.  “A  música  profana  ou  a  que  seja  de  natureza  duvidosa  ou questionável, nunca dever ser introduzida em nossos cultos”. – Manual da Igreja, pág. 72.


5.  Não  se  deixa  guiar  apenas  pelo  gosto  e  experiência  pessoal.  Os hábitos  e  a  cultura  não  são  guias  suficientes  na  escolha  da  música.  “Tenho  ouvido  em algumas  de  nossas  igrejas  solos  que  eram  de  todo  inadequados  ao  culto  da  casa  do Senhor. As notas longamente puxadas e os sons peculiares, comuns no canto de óperas, não agradam aos anjos. Eles se deleitam em ouvir os simples cantos de louvor entoados em tom natural”. – Ellen White, Manuscrito 91.


6.  Não deve ser  rebaixada  a  fim  de  obter  conversões,  mas  deve elevar o pecador a Deus. (Ver Evangelismo, pág. 137.) Ellen White diz que “haveriam de ter lugar imediatamente antes da terminação da graça … gritos com tambores, música e dança. Os sentidos dos seres racionais ficarão tão confundidos que não se pode confiar neles  quanto  a  decisões  retas.  E  isto  será  chamado  operação  do  Espírito  Santo.  O Espírito Santo nunca Se revela por tais métodos, em tal balbúrdia de ruído. Isto é uma invenção  de  Satanás  para  encobrir  seus  engenhosos  métodos  para  anular  o  efeito  da pura,  sincera,  elevadora,  enobrecedora  e  santificante  verdade  para  este  tempo”.  – Mensagens Escolhidas, vol. 2, pág. 36.


7.  Provoca uma reação positiva e saudável naqueles que a ouvem.



III.  A Letra


1.   Deve  ser  de  fácil  compreensão  e  estar  em  harmonia  com  os ensinamentos da Bíblia.


2.  Deve  ter  valor  literário e teológico consistente.  Não  usa letras levianas, vagas e sentimentais, que apelem somente às emoções.


3.  Não  é  superada  pelos  arranjos  ou  instrumentos  de acompanhamento.


4.  Mantém o equilíbrio entre hinos dirigidos a Deus e cânticos que contêm  petições,  apelos,  ensinos,  testemunhos,  admoestações  e  encorajamento  (Col. 3:16; Efés. 5:19)


5.  Deve  evitar  ser  apresentada  em  outra  língua,  que  não  a  nativa, para que possa ser compreendida e os ouvintes, edificados.



IV.   Louvor Congregacional



1.  Deve  ser  mais  valorizado,  pois através  dele  toda  a  igreja  é envolvida.  “Nem  sempre  o  canto  deve  ser  feito  por  apenas  alguns.  Tanto  quanto possível, permita-se que toda a congregação participe.” – Testimonies, vol. 9, pág. 144.


Os momentos de louvor congregacional:


a.  Envolvem a participação de todos no culto.


b.  Harmonizam o coração do homem com Deus.


c.  Exercem uma influência unificadora do povo de Deus em um só pensamento.


d.  Dão  oportunidade  para  expressar  as  emoções  e sentimentos pessoais.


e.  Fortalecem o caráter.


f.  Tem grande valor educacional.


g.  Destacam um bom princípio de mordomia, desenvolvendo um talento dado por Deus.


h.  Dirigem o ouvinte a Cristo.


2.  Não  deve  ser  utilizado  para  preencher  espaços  vagos,  ou imprevistos.  Deve  estar  inserido  dentro  de  qualquer  culto  ou  programa,  em  momento nobre, valorizando sua importância.


3.  Não deve  ser  realizado  de  maneira  fria,  automática  ou despreparada. Os hinos a serem cantados e a mensagem a ser exposta devem ter ligação entre  si,  fruto  do  planejamento  e  da  cuidadosa  organização  entre  os  líderes  e  o Ministério da Música. (Ver Testemunhos Seletos, vol.1, pág. 457.


4.  Sempre que possível, o ministro do louvor deve ocupar um lugar à plataforma, como um dos participantes no culto de adoração.


5.  Devem ser  estimulados  grupos  musicais  que  envolvam  uma  boa quantidade  de  pessoas.  “Raras  vezes  deve  o  cântico  ser  entoado  por  uns  poucos.”  – Conselhos Sobre Saúde, pág. 481.


6.  Deve  haver  um  cuidado  especial  para  não  utilizar  músicas  que apenas  agradem  os  sentidos,  tenham  ligação  com  o  carismatismo,  ou  tenham predominância de ritmo.



V.  Os  Instrumentos



1.  Os  instrumentistas  da  igreja  devem  sempre  ser  estimulados  a participar  dos  cultos  de  adoração,  com  instrumental  ao  vivo.  Ellen  White  recomenda que  o  canto  “seja  acompanhado  por  instrumentos  de  música  habilmente  tocados.  Não nos devemos opor ao uso de instrumentos musicais em nossa obra”. – Testimonies, vol. 9, pág. 143.


2.  Deve  haver  muito  cuidado  ao  serem  usados  instrumentos associados  com  a  música  popular  e  folclórica  ou  que  necessitem  de  exagerada amplificação. Quando mal utilizados, concorrem para o enfraquecimento da mensagem da música.


3.  O  uso  de  play-backs  deve  ser  uma  alternativa  para  momentos especiais.  Devem  ser  utilizados  de  modo  equilibrado,  sempre  em  apoio ao canto congregacional.


4.  O  instrumental  deve  ocupar  seu  papel  de  acompanhamento, dando prioridade à mensagem. “A voz humana que entoa a música de Deus vinda de um coração  cheio  de  reconhecimento  e  ações  de  graças,  é  incomparavelmente  mais aprazível a Ele do que a melodia de todos os instrumentos de música já inventados pelas mãos humanas.” – Evangelismo, pág. 506.


5.  Deve  ser  priorizada  por  orquestras,  bandas  e  outros  grupos instrumentais  a  apresentação  de  músicas  que  estejam  dentro  das  recomendações  da igreja e que edifiquem seus ouvintes.



VI.   As Produções Musicais


1.  As  produções  musicais  adventistas  devem  se  caracterizar  pelo destaque dado à nossa mensagem distintiva.


2.  Compositores,  arranjadores,  produtores  e  arregimentadores devem priorizar, valorizar e trabalhar com músicos que estejam comprometidos com os princípios musicais da igreja.


3.  As  produções  musicais  das  instituições  adventistas  devem  ser paradigmas dos valores musicais da igreja.


4.  Atenção  e  cuidado  especial  devem  ser  dados  às  produções vendidas nas lojas de propriedade da igreja, para que reflitam nossos valores musicais.


5.  As  músicas  apresentadas  nas  rádios  e  TVs  de  propriedade  da igreja  devem  refletir,  também,  nossos  valores  musicais.  Elas  possuem  influência destacada,  formam  a  cultura  musical  da  igreja  e  se  tornam  uma  referência  musical  da igreja para os ouvintes e telespectadores.



VII.   A Educação Musical



1.  Deve ser considerada a possibilidade de apoiar as crianças em seu treinamento musical a fim de preparar futuros músicos que possam servir à igreja.  Este apoio poderá ser dado através de professores de música da própria igreja ou patrocinar aulas de música para algum interessado.


2.  A música deve ser valorizada e bem trabalhada nos lares cristãos. A  instrução  e  a  formação  de  um  saudável  gosto  musical  devem  começar  cedo  na  vida das  crianças.  Os  pais  precisam  conversar  com  os  filhos,  orientá-los  e  ser  um  modelo positivo para eles, escolhendo com sabedoria a música que será utilizada em casa.


3.  A Educação Adventista deve estimular os alunos no aprendizado de instrumentos musicais, leitura de partituras e cântico vocal em corais ou grupos.


4.  As apresentações  musicais  em  todas  as  instituições  educacionais adventistas do sétimo dia devem estar em harmonia com as diretrizes da igreja. Isso se aplica aos talentos locais como também a artistas e grupos visitantes. O mesmo se aplica para  o  uso  da  mídia  de  entretenimento  (filmes  e  outros)  patrocinada  oficialmente  pela instituição.



VIII.   A Administração da Música na Igreja



1.  Cada  igreja  deve  ter  sua  comissão  de  música  devidamente organizada  e  mantendo  reuniões  regulares.  A administração  do  Ministério  da  Música não deve estar nas mãos de apenas uma pessoa.


2.  Devem  ser  realizadas  palestras,  sermões,  seminários  ou  festivais de louvor envolvendo cantores ou grupos e fortalecendo o envolvimento com a igreja e seus princípios musicais.


3.  A liderança  da  igreja  deve  encorajar  os  membros  a desenvolverem seus talentos musicais, estabelecendo um coral, quarteto, grupo musical, orquestra ou fortalecendo um talento individual.


4.  A igreja  deve,  dentro  do  possível,  procurar  adquirir  algum instrumento musical próprio para fortalecer o louvor e a formação musical.


5.  A direção do Ministério da Música deve organizar e providenciar música especial e  um  responsável  pelo  louvor  congregacional  para  todos  os  cultos  da igreja.


6.  A saída ou recebimento de grupos musicais ou cantores deve ser acompanhada de uma recomendação oficial da igreja da qual são membros. Essa atitude valoriza os bons músicos e traz segurança à igreja.


7.  A música não deve ser motivo de discussões ou atitudes radicais. A busca pelo padrão divino deve ser guiada pelo amor e oração e não pela imposição.



IX.  A Música no Evangelismo



1.  Sempre que possível, uma apresentação musical deve conter uma mensagem bíblica, um apelo ou o oferecimento de um curso bíblico àqueles que ainda não sejam batizados, buscando levá-los a Jesus.


2.  Grupos  musicais  e  cantores  devem  buscar  maneiras  de  atuar diretamente,  e  de  forma  sistemática,  nas  campanhas  missionárias  e  evangelísticas  da igreja, ou desenvolver seus próprios projetos para cumprir a missão.



X.  A Música no Culto



1.  A música deve ocupar um lugar tão especial quanto a oração e a mensagem  da  Bíblia,  dentro  do  culto  e  da  adoração  a  Deus.  Ela  é  um  sacrifício  de louvor, um meio de promover o crescimento espiritual, de glorificar a Deus e dirigir o ouvinte a Ele.


2.  A  música  especial  ou  o  louvor  congregacional  deve  estar  em harmonia com a mensagem bíblica que será apresentada. Isso fortalece o seu impacto.


3.  A  música  para  o  culto  deve  ter  beleza,  emoção  e  poder.  (Ver Testemunhos Seletos, vol. 1, pág. 457.)


4.  A  música  deve  ser  escolhida  de  maneira  específica  para  cada ambiente,  programa  ou  culto  da  igreja.  “Os  que  fazem  do  cântico  uma  parte  do  culto divino,  devem  escolher  hinos  com  música  apropriada  para  a  ocasião,  não  notas  de funeral, porém melodias alegres e, todavia, solenes.” – Evangelismo, pág. 508.



XI.  A Equipe de Áudio e Vídeo


 


1.  Deve  trabalhar  em  parceria  com  o  Ministério  de  Música  no planejamento e organização do programa musical da igreja.


2.  Mantém  os  princípios  apresentados  neste  documento, especialmente  no  que  diz  respeito  ao  uso  de  materiais  sonoros  e  visuais  na  adoração, louvor e liturgia.


3.  Oferece  apoio  técnico  aos  cantores,  músicos,  grupos  vocais  e instrumentais, antes e durante as apresentações, visando à boa qualidade na adoração e louvor.



XII.  Músicas Seculares



1.  Os  princípios  de  escolha  musical  devem  servir  tanto  para  a música  “sacra”  quanto  para  a  “secular”.  Em  momento  algum  deixamos  de  ser  filhos  e filhas  de  Deus  que  buscam  glorificá-Lo  em  todas  as  coisas.  Escolhemos  sempre  e apenas o melhor.


2.  A  escolha  da  música  “secular”  deve  ser  caracterizada  por  um equilíbrio  saudável  nos  elementos  do  ritmo,  melodia  e  harmonia  com  uma  letra  que expresse ideais de alto valor.


3.  Em programas especiais, dentro da igreja, tais como: cerimônias de  casamento,  cultos  de  ação  de  graças,  seminários  e  outros,  deve  haver  cuidado especial na escolha das músicas.



Conclusões



Vivemos um momento difícil em que cada vez mais as pessoas e as sociedades expressam  sentimentos  religiosos  sem  uma  clara  orientação  cristã  e  bíblica.  A música tornou-se  uma  questão  fundamental  que  requer  discernimento  e  decisão  espirituais. Consequentemente,  devemos  fazer  estas  importantes  perguntas  enquanto  buscamos fazer boas escolhas musicais:


1.  A música que estamos ouvindo ou apresentando tem consistência moral e teológica tanto na letra como na melodia?


2.  Qual  a  intenção  que  está  por  trás  da  música?  Ela  transmite  uma mensagem positiva ou negativa? Glorifica a Deus (I Cor.10:31) e oferece o que é mais nobre e melhor (Filip. 4:8)?


3.  O  propósito  da  música  está  sendo  transmitido  com  eficácia?  O  músico está  promovendo  uma  atmosfera  de  reverência?  A  letra  e  a  música  dizem  a  mesma coisa?


4.  Estamos  buscando  a  orientação  do  Espírito  Santo  na  escolha  da  música religiosa e secular?


O  conselho  de  Paulo  é  claro:  “Cantarei  com  o  espírito,  mas  também cantarei  com  o  entendimento.”  (I  Cor.14:15).  Não  há  dúvida  de  que  a  música  é  uma expressão artística, que toca os sentimentos. Isto nos leva a avaliar, escolher e produzir a  música  de  maneira  racional,  tendo  em  vista  o  seu  poder,  e  buscando  cumprir  o propósito de Deus para a edificação da igreja e a salvação do mundo.



Não podemos esquecer que “A música é de origem celestial. Há grande poder  na  música.  Foi  a  música  dos  anjos  que  fez  vibrar  o  coração  dos  pastores  nas planícies  de  Belém  e  envolveu  o  mundo  todo.  É  através  da  música  que  os  nossos louvores se erguem Àquele que é a personificação da pureza e harmonia. É com música e  cânticos  de  vitória  que  os  redimidos  finalmente  tomarão  posse  da  recompensa imortal.” –  Mensagens Escolhidas, vol. 3, pág. 335.



Deus  compôs  a  música  exatamente  na  estrutura  de  Sua  criação.  Lemos que quando Ele criou todas as coisas “juntas cantavam as estrelas da manhã, e todos os filhos de Deus bradavam de júbilo” (Jó 37:8). O Livro do Apocalipse retrata o céu como um lugar de louvor incessante, com hinos de adoração a Deus e ao Cordeiro ressoando de todas as partes (Apocalipse 4:9-11; 5:9-13; 7:10-12; 12:10-12; 14:1-3; 15:2-4; 19:1-8).



Fonte: Igreja Adventista do Sétimo Dia (site oficial)

  • matheus pereira

    Muito Bom!
    Bem esclarecedor.

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